Monday, January 02, 2006

02/01

Os homens são tão necessariamente loucos que não ser louco seria uma outra forma de loucura. Necessariamente porque o dualismo existencial torna sua situação impossível, um dilema torturante. Louco porque tudo o que o homem faz em seu mundo simbólico é procurar negar e superar sua sorte grotesca. Literalmente entrega-se a um esquecimento cego através de jogos sociais, truques psicológicos, preocu­pações pessoais tão distantes da realidade de sua condição que são formas de loucura ― loucura assumida, loucura com­partilhada, loucura disfarçada e dignificada, mas de qualquer maneira loucura.

(Ernest Becker, A negação da morte.)

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