Reencontrar pessoas é me reencontrar. É falar falar e olhar e ser Bernardo Soares;
O que me dizem e o que sai da minha boca não tem nenhuma finalidade e somente a presença me importa. Eu ali, falando e ouvindo, o outro falando e ouvindo, e tudo o que penso é distante. Um tempo onde eu era mais leve e me dizia já tão danificada, tempo onde eu amava estranhos, onde eu queria ir atrás de estranhos, e tinha aquela sensação de tocar um corpo querido tão querido pela primeira vez, a expectativa, os telefonemas, as cartas e canções. Hoje eu fico em casa acumulando doenças imaginárias e cansaços profundos e verdadeiros, esperando uma parte do final de semana onde toco outro corpo tão querido, imensamente querido, mas sem nenhuma emoção desconhecida, me entenda, não reclamo, mas sinto saudade de que alguém escale muros, tente me esmurrar e depois me deite carinhosamente.
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