Sunday, December 24, 2006

Pola estava em Horácio

Nos olhos, no cabelo... Em toda parte e na casa de Maga ela via Pola desfilando amada.


E quem fica em mim, quantas pessoas ficam no meu cabelo, como ontem de tarde, nós dois na cama, ficou você no cheiro do cheiro do meu cabelo e na minha estúpida quase vida tinha um quê de amor realizado que eu não entendia, mas é só me esfregar na sua barba e te ver... te ver de olhos fechados que eu não ligo pra mais nada e nem me envergonho de não ligar e se mais alguém ficou em mim é só do lado de fora, minha pele é limpa, limpinha e acetinada e meus ouvidos, minha boca me trai as vezes mas tem que se desculpar. ou não... pode me bater na boca como faço com você às vezes, mas depois o beijo horas seguidas...


E falo de escrita tantas vezes que desgasta qualquer olho interessado que se ponha em mim porque não tenho argumentos que valham a outras pessoas, tudo que escrevo serve unicamente pra mim e não faço muita questão de ser útil a outras coisas que não sejam me tocar e me fazer sentir algo. Escrevo; você vê, mas nada aqui vale mais do que os cadernos das madrugadas e dos relatos desesperados de tempestades que acontecem no espaço exato da minha cama... Depois de filmes destruidores e livros que me chicoteiam... Eu faço tantas coisas e encho esse blog dessas coisas, porque eu queria mesmo era ser pintora, assim poderia vender umas paisagens na praça ou então pegar um violão e conseguir uns trocados, ou sorrisos e acompanhamentos... Mas não, escrever é uma sina triste quando não tem fim nem finalidade. Fica como um vício, uma grafomania desvairada que alimenta ainda mais a insanidade. Eu vou viver atés os 29 anos e se até lá eu não conseguir escrever nada que valha juro que viro bordadeira... Porque é como o Fernando Pessoa já dizia.

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