Friday, February 24, 2012

Like every inch of me is bruised

Tudo aquilo que esquecia ou negava, soube vagamente em plena queda, era o que eu mais era. (CFA)

Uma brutalidade nas veias, uma necessidade de isolamento. Não quero que me toquem, que me dirijam a palavra, quero somente a paz do silêncio. Que ninguém suspeitará. Um por um dos teus desejos despedaçados e atirados ao vento. Que ninguém virá em tua salvação. Um por um dos dias dos últimos oito anos e nada que diminua o acelerar do coração. Cada pensamento doía como se um machucado fosse aberto cada vez que pensasse. Tentei me concentrar, mas a confusão na minha cabeça só fazia aumentar a dor, os sentimentos embaralhados, eu falava muito, mas nenhuma palavra parecia solucionar. Eu não percebi que havia enlouquecido, eu não percebi meu nariz sangrando, eu não percebi o mundo desolado, maltratado, as crianças morrendo de fome, eu não percebi que a vida pode ser também o avesso do que se espera. Eu era apenas mais um bêbado compulsivo falando besteiras que ninguém queria ouvir para pessoas que não davam a mínima. Me contive, não queria que percebessem que eu sabia o que estava acontecendo, não queria ter que responder perguntas, só esperava que depois de tudo as pessoas pudessem ter um pouco mais de dignidade. Uma raiva acumulada, como um poço que transborda e invade tudo ao redor; e crescia, a cada dia era maior. Não sabia o que fazer com o que sentia, e sem opções, escondia e negava o tempo todo. Um reflexo de toda a podridão, fazia parte sem desejar de um aglomerado de gente burra e insensata. Me olhava no espelho e via lá tudo o que mais odiava. Então escondia o rosto, batia as portas, os vizinhos todos com suas vidas patéticas, e eu negava qualquer participação. Eu negava minha humanidade. Uma negação, era só o que era.

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