"Quem me consola, quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo?"
Cedo do dia, a casa vazia, a cabeça cheia. Pensamentos difusos para se pensar quando faltar o chão, e quando costumava pensar que a falta era o que de pior podia sentir sempre conseguia ir até a cozinha, pegar uma xícara, fazer um chá, tarefas rotineiras que talvez me ajudassem, ajudavam? Não sei se colocar dúvidas em palavras resolve e essa é a minha grande dúvida mortal, porque bem no fundo o que eu espero e acredito é que resolve sim e vai me curar algum dia, ou diminuir a dor que sinto e não sei de onde vem... Literatura é dor? Sou toda palavras, e ouvidos, não me sobra muito além da capacidade de falar e falar até não chegar a lugar algum, é uma sina, é um sinal, um vício desordenado que me balança e exige que eu lhe dê atenção... Sinto fome, sinto frio, me convenço que não são reais. Mas ainda tenho medo, bem aqui nesse lugar que desconheço.
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